Friday, 15 January 2016

começou a actualização da cartografia

Foram hoje actualizados os mapas de distribuição de três famílias e igual número de espécies de libélulas que ocorrem no Algarve: Cordulegastridae (Cordulegaster boltonii), Corduliidae (Oxygastra curtisii) e Macromiidae (Macromia splendens).


É o primeiro passo do 'refrescamento' do website Odonata in the Algarve, previsto para 2016.

Para a cartografia são várias as 'novidades':

  • é apresentada mais informação, uma vez que a base de dados foi crescendo desde 2013
  • a informação deixou de estar apresentada em pontos e passou a ser apresentada em quadrículas UTM WGS84 com 5 km, adoptando um padrão muito usual nos mapas de distribuição de espécies
  • as quadrículas apresentam cores diferentes, consoante a robustez da informação sobre ocorrência de uma espécie num território (permitindo diferenciar entre a sumária observação de adultos e a reprodução bem sucedida)
  • para além das quadrículas, a região do Algarve está identificada e delimitada; de igual forma, embora com menos destaque, estão os Sítios RAMSAR da Ribeira do Vascão e dos Sapais de Castro Marim

Um agradecimento à principal especialista portuguesa em Odonatologia, Sónia Ferreira, e a ilustres espanhóis, como Adolfo Cordero-Rivera, Javier Ripoll Rodríguez e Florent Prunier, que apresentaram algumas sugestões sobre os melhores critérios para a apresentação destes novos mapas.

Segue-se agora, muito em breve, a actualização da restante cartografia...
... e todos aqueles que quiserem saber como é a preparação desta cartografia, no que diz respeito à programação, podem descobri-lo AQUI!

Friday, 1 January 2016

Atlas of the European dragonflies and damselflies

O ano de 2016 também começa com a distribuição do novo Atlas of the European dragonflies and damselflies, editado por Jean-Pierre Boudot e Vincent J. Kalkman, e publicado no final de 2015 pela KNNV Publishing, the Netherlands.


O novo Atlas vem complementar e actualizar parcialmente o Atlas of the Odonata of the Mediterranean and North Africa, que tinha já sido editado por J.-P. Boudot e V.J. Kalkman, e tinha sido publicado em 2009 pela Libellula.

Escrevem agora os editores: The literature on European dragonflies is very rich and the current book contains only a fraction on what is known. We feel however that the present publication gives a good overview of the knowledge regarding the distribution, habitat requirements and conservation status of European odonates to date.

Apresentam-se detalhadamente neste Atlas as 143 espécies europeias indígenas, referindo a sua taxonomia, a sua distribuição pela Europa (em mapas de quadrículas UTM com 50 x 50 km) e global, a estabilidade ou tendência de expansão / decréscimo das populações, os habitats e os períodos de voo, as estratégias de conservação, e os estatutos de protecção das espécies, nomeadamente de acordo com a Directiva Habitats.

É dado algum destaque à Convenção de Ramsar (Convention on Wetlands of International Importance) e à rede de áreas classificadas no enquadramento da mesma, para a protecção dos habitats de alguns taxa, como a libélula Macromia splendens que ocorre, por exemplo, no Algarve. É referida a Directiva Habitats, que impõe medidas de protecção para espécies de libélulas que ocorrem no Algarve, como a já mencionada M. splendens, mas também Gomphus graslinii e Oxigastra curtisii. É, por último, referida a European Red List of Dragonflies.

Para o Algarve merece igualmente atenção a libelinha Lestes macrostigma, que tem uma pequena população na Reserva Natural de Castro Marim e Vila Real de Santo António (RNSCMVRSA). É uma espécie classificada como EN (Endangered) para os 27 estados-membros da União Europeia.

Por último, é discutido o ainda inexistente European Dragonfly Monitoring Network e a conveniência na sua criação. Mesmo assim, á reconhecida a importância fundamental das observações ocasionais ou estruturadas dos numerosos voluntários que existem por toda a Europa, e que através de métodos estatísticos apurados permitiram consolidar a informação agora publicada e publicar um Atlas muito interessante, detalhado e rigoroso!

Saturday, 12 December 2015

a libélula que não cumpriu as regras todas


K-D Dijkstra, no Field Guide to the Dragonflies of Britain and Europe (British Wildlife Publishing, 2006), assinalou os principais elementos de diagnóstico que permitem, através da morfologia externa, identificar os machos da espécie Onychogomphus uncatus:

  • o vertex é totalmente negro (embora existam excepções)
  • o ‘colar’, ou seja, a faixa no limite anterior do tórax (pterotórax), é amarelo mas interrompido por uma faixa negra localizada no alinhamento da carena dorsal
  • a faixa amarela ante-humeral está ligada no seu limite dorsal à faixa amarela anterior (a primeira, contada a partir da carena dorsal)
  • em visão lateral, as faixas negras são pronunciadas, não interrompidas e interligadas, formando uma rede complexa
  • nas asas posteriores, o triângulo anal é geralmente constituído por quatro células (enquanto que na O. forcipatus é constituído três células)
  • os apêndices abdominais superiores são encurvados para o interior, tocam-se mas não se sobrepõem.



(clique na imagem para ampliar • click on image to enlarge)

Mas este macho, fotografado na margem algarvia da Ribeira de Seixe em Agosto de 2012, tem três células no triângulo anal da asa posterior direita e quatro células no da esquerda. Existe assim, para além de uma invulgar assimetria, na asa posterior direita um número de células que é considerado como o característico e um dos elementos de diagnóstico de outra espécie, a Onychogomphus forcipatus unguiculatusPor outro lado, a fina faixa amarela ante-humeral que, caracteristicamente é contínua e ligada à faixa amarela anterior, surge neste espécime interrompida pelo contacto entre as segunda e terceira faixas negras…

Saturday, 6 December 2014

Sympetrum striolatum em Dezembro!

Sympetrum striolatum male

Hoje, num fantástico dia de Sol de Inverno, nas margens da Ribeira de Odeleite voam e até fazem posturas algumas Sympetrum striolatum...

Sunday, 5 January 2014

Directiva Habitats e Odonata no Algarve

Uma consulta sobre a legislação actual, comunitária e nacional, relativa à protecção legal dos habitats das espécies de Odonata que ocorrem no Algarve permitiu-me constatar que a Directiva Habitats foi recentemente revista, em virtude da adesão da República da Croácia.
Assim, surgiu um novo diploma legal, a Directiva 2013/17/UE do Conselho, de 13 de Maio de 2013, publicado no Jornal Oficial da União Europeia de 10 de Junho de 2013, L 158/193 a 229. Consulte a "nova" Directiva Habitats AQUI.

Na pág. 223 do diploma lá estão as três espécies com estatuto formal de protecção que ocorrem no Algarve: Gomphus graslinii, Macromia splendens e Oxygastra curtisii. As três estão listadas no Anexo IV, o das espécies animais e vegetais de interesse da comunidade que exigem uma protecção rigorosa!

Tuesday, 29 October 2013

mapas de quadrículas sobre distribuição de espécies


Fazer mapas de quadrículas para representar a distribuição de espécies animais ou vegetais (ou qualquer outro tema) pode ser bastante simples. O Quantum GIS, um fantástico Sistema de Informação Geográfica open source, dá uma grande ajuda, e nós quisemos dar mais uma pequena ajuda preparando um pequenino tutorial, onde os passos mais importantes são revelados.

Descarregue o tutorial AQUI. Divirta-se neste Outono / Inverno quando estiver a chover e não for possível sair para o campo!

Monday, 9 September 2013

PREDADORES!

Barragem de Vale de Asno
(clique na imagem para ampliar • click on image to enlarge)
As louva-a-deus (Mantis religiosa) parecem ser predadores regulares das libélulas e libelinhas. Esta fotografia de hoje, na barragem de Vale de Asno (Altura), ilustra essa cadeia alimentar e um macho de Trithemis annulata já foi parcialmente devorado.
Na semana passada tinha registado uma situação muito semelhante. Também uma Libellulidae estava a servir de repasto a uma louva-a-deus e essa fotografia pode ser vista aqui.

Mas o mais interessante é, aparentemente, a posição de espera da louva-a-deus. Já não é a primeira que encontro de cabeça para baixo, imóvel, aguardando que algum incauto insecto passe no raio de acção das suas poderosas patas dianteiras...

Barragem de Vale de Asno
(clique na imagem para ampliar • click on image to enlarge)
Note-se que esta louva-a-deus não é a mesma da fotografia superior...

Se algum leitor deste blog conhecer mais em detalhe este comportamento de caça da Mantis religiosa poderia partilhar connosco os seus conhecimentos???