Saturday, 12 December 2015

a libélula que não cumpriu as regras todas


K-D Dijkstra, no Field Guide to the Dragonflies of Britain and Europe (British Wildlife Publishing, 2006), assinalou os principais elementos de diagnóstico que permitem, através da morfologia externa, identificar os machos da espécie Onychogomphus uncatus:

  • o vertex é totalmente negro (embora existam excepções)
  • o ‘colar’, ou seja, a faixa no limite anterior do tórax (pterotórax), é amarelo mas interrompido por uma faixa negra localizada no alinhamento da carena dorsal
  • a faixa amarela ante-humeral está ligada no seu limite dorsal à faixa amarela anterior (a primeira, contada a partir da carena dorsal)
  • em visão lateral, as faixas negras são pronunciadas, não interrompidas e interligadas, formando uma rede complexa
  • nas asas posteriores, o triângulo anal é geralmente constituído por quatro células (enquanto que na O. forcipatus é constituído três células)
  • os apêndices abdominais superiores são encurvados para o interior, tocam-se mas não se sobrepõem.



(clique na imagem para ampliar • click on image to enlarge)

Mas este macho, fotografado na margem algarvia da Ribeira de Seixe em Agosto de 2012, tem três células no triângulo anal da asa posterior direita e quatro células no da esquerda. Existe assim, para além de uma invulgar assimetria, na asa posterior direita um número de células que é considerado como o característico e um dos elementos de diagnóstico de outra espécie, a Onychogomphus forcipatus unguiculatusPor outro lado, a fina faixa amarela ante-humeral que, caracteristicamente é contínua e ligada à faixa amarela anterior, surge neste espécime interrompida pelo contacto entre as segunda e terceira faixas negras…